terça-feira, 30 de março de 2010

Porque Salvador não merece meus parabéns

No dia do aniversário da cidade, o centro de Salvador estava completamente igual a todos os dias. Todo mundo trabalhava normalmente, as ruas fediam e os ônibus do tipo "frescão" despejavam aquela fumaça preta nos pedestres.
Dos dois maiores jornais da cidade um trazia uma enquete relacionada ao aniversário da cidade. O A Tarde online listou necessicades da cidade e pediu que os leitores escolhecem a mair importante. Não deu outra: a maioria dos soteropolitanos tem medo de andar nas ruas. 58,7% dos 6.726 que votaram, ecolheram "Segurança" como a coisa que mais falta na cidade.
Mas nem todo mundo estava tão triste. No twitter, alguns soteropolitanos comemoravam e ressaltavam, sobretudo o caráter festivo da cidade, as músicas, o carnaval. Mas é fácil se lembrar do treinamento fornecido pela secretaria de turismo para os gias e monitores do carnaval. O repórter que vos fala e mais de 300 pessoas foram selecionados para trabalhar no carnaval de Salvador quando, na véspera da festa, surge uma lista de indicados pela secretaria do estado que teriam de trabalhar "de qualquer jeito". Tudo bem. A festa é linda.
Um dia depois do aniversário da cidade o que mais se busca nos jornais é a palavra "polícia" (veja o quadro do jornal A Tarde) o que realmente tem a ver com a resposta da enquete apontando as necessidades.
Mas eu tinha que ver alguém feliz com a cidade além dos twitteiros sossegados no seu computador. Resolvi mesmo ir à festa promovida pela Prefeitura na Praça Castro Alves. Lá, pelo menos as pessoas dançariam felizes e eu entraria na onda entorpecido pelo rebolation e desejaria parabéns a Salvador. Mas no meio do caminho, próximo à Praça da Piedade, encontrei um rapaz recolhendo saquinhos bem amarrados dos registros de água dos prédios. Resolvi voltar. A rua estava suja como sempre, mas todo mundo sabe que é melhor andar no meio da pista para desviar do lixo nas calçadas do centro da cidade. Deixei a festa de aniversário pra trás, mas imaginei também que em vários lugares da cidade estariam acontecendo outras comemorações.
Ao chegar em casa, o CQC falava da cidade. Na verdade, era uma matéria sobre o metrô.
Ao acordar hoje, pude ver na capa do Correio* que tudo deu certo. Muita gente comemorou os 461 anos da Salvador. Pena que eu não consegui.



segunda-feira, 29 de março de 2010

Transitando em Salvador




"Vou dar a volta no mundo eu vou, vou ver o mundo girar" (Crença e Fé)

Transitar nessa cidade que hoje completou 461 anos e com quase 3 milhões de habitantes, ou seja muito maior que a população Estado de Sergipe e Alagoas, por exemplo, exige paciência e um mp3 (que poderá ser roubado, é claro). É o caso de José Bastos, 31 anos, que mora na Sussuarana e trabalha no Lucaia, e ele como muitos dos soteropolitanos não tem carro próprio e precisa usar o transporte público.

Para chegar ao seu trabalho às 7h30, José acorda 6h da manhã, pega um Barra-R2, da empresa Vitral, que passa pela Avenida Luís Viana Filho, mas que todos conhecem por Paralela. Coloca o fone no ouvido e vai curtindo sua viagem de uma hora, que normalmente duraria 15 minutos. Por que quando dá 7h da manhã essa avenida se torna um inferno, parece que os 700 mil veículos de passeio e todos os ônibus que existem em Salvador estão por lá. Quando enfim o ônibus vai chegando proximo ao Iguatemi, o inferno vai ficando ainda mais dantesco: buzinadas que não levam a nada, pessoas estressadas às 7h da manhã. Essa é a grande cidade de São Salvador e os notíciários avisam: a cada ano 48 mil novos veículos entrarão em circulação na capital, que não foi planejada para esse fluxo. Sorte a de José que nesse momento ouve apenas: "Shimbalaiê, quando vejo o sol beijando o mar".

E pensar que em 1871, quando a TransSalvador ( Superintendência de Trânsito e Transporte de Salvador) não existia, centenas de soteropolitanos se juntaram nas ruas para ver passar o primeiro automóvel do Brasil, a geringonça foi trazida pelo senhor Francisco Antônio Pereira da Rocha da França, e deu suas primeiras voltas saindo da Ladeira da Conceição da Praia em direção à Praça do Palácio. Na verdade, o modelo mais parecia com um rolo compressor para assentar asfalto. Com esse aspecto levantou suspeitas e gerou apostas quanto à sua capacidade de subir ladeiras. Lembrando que esta é uma cidade divida por uma falha geológica, designando assim a cidade alta e a cidade baixa e aí dá-lhe ladeiras. Mas contrariando os pessimistas, o veículo superou as expectivas e deixou o senhor Francisco popular por seu incrível e curioso artigo.
A TranSalvador, que só foi criada em 1992, e como o nome diz, é responsável pelo transporte dentro de Salvador e da região metropolitana. Mas por experiência, fica o aviso que se precisar saber do trânsito da cidade liga para o Corpo de Bombeiros; para alguém que more perto da região do Lucaia, ou trabalhe no Iguatemi; na Paralela e recentemente na Rótula do Abacaxi, os pontos mais críticos do trânsito da cidade.

O órgão sinalizou este mês de março que vinte e três novas câmeras de monitoramento serão implantadas nos tais pontos críticos - às 18h a cidade fica crítica por inteira - . As câmeras irão identificar novas ocorrências e acionar com mais brevidade o serviço da "Trans". Rezem para ser verdade. É notório que todo o trânsito da cidade vem sofrendo diversas alterações. Na Rótula do Abacaxi a Via Expressa vai ligar a Avenida Heitor Dias à rodovia BR-324 e ao bairro do Cabula. Mas até acontecer isso, esse vai continuar sendo outro ponto infernal da cidade.

E a culpa é de quem compra carro novo, não é prefeito João Henrique? E o metrô João, vai ficar para os 500 anos de Salvador?

Reinauguração do Cine-Teatro Solar Boa Vista: um presente para os soteropolitanos



Fachada do Cine-Teatro. Reprodução

Localizado em um dos bairros mais importantes da capital baiana, Engenho Velho de Brotas, o Cine-Teatro Solar Boa Vista passou por uma reforma estrutural e foi devolvido à população de Salvador no dia 14 de março, às 9h, com a Lavagem do Solar. Desde então, uma extensa programação marca a reabertura do equipamento cultural, com atrações de dança, teatro, circo, cinema e música, terminando no dia 31 deste mês. A reinauguração do Solar se insere nas comemorações do mês do Teatro e do Circo e coincide também com o mês do aniversário de Salvador.

Em funcionamento desde 1984, quando foi fundado pelo Governo do Estado e administrado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), vinculada à Secretaria de Cultura do Estado (SECULT), o Cine-Teatro foi reaberto no dia 19, às 19h, em sessão solene que contou com a presença do secretário de Cultura, Márcio Meirelles, da diretora geral da FUNCEB, Gisele Nussbaumer e da coreógrafa Lia Robatto, viúva do fotógrafo Sílvio Robatto (1936-2008), que nomeia a sala principal do espaço e foi responsável pela entre concepção e projeção de oito espaços culturais da FUNCEB, incluindo o Cine-Teatro Solar Boa Vista, entre 1983 e 1987. Com recursos da Fundação Cultural e do Fundo de Cultura da Bahia, que totalizam R$ 400 mil, a reforma do Solar teve início em 2007, com recuperação dos telhados, pintura, revisão das redes hidráulica e elétrica, reparos no sistema de climatização, descupinização, dentre outras melhorias.

Coordenador do equipamento cultural desde 2007, Chicco Assis destaca a importância do Cine-Teatro para revitalizar a cultura do bairro. "O Solar representa muito para a cidade de Salvador. Ter o Solar devolvido à classe artística e à comunidade soteropolitana, no mês do aniversário da cidade, vai além de um presente à Salvador, representa a ampliação da possibilidades de acesso aos meios de produção, circulação, fruição e apropriação de bens e produtos artísticos. É mais fôlego para a vida cultural do Engenho Velho de Brotas, que sempre esteve pulsando no coração da cultura de Salvador", afirma Assis. Em seus 26 anos de existência, o espaço já recebeu artistas como Margareth Menezes, Cássia Eller (1962-2001) e Nana Caymmi, e montagens dos diretores teatrais Fernando Guerreiro e Luiz Marfuz.

Lavagem do Solar. Foto: Ana Paula Vasconcelos

Programação diversificada

O público que compareceu ao Cine-Teatro pôde conferir um calendário repleto de atrações culturais a preços acessíveis. Dentre as atrações que fizeram parte da programação especial, estão a cantora Márcia Short, moradora do Engenho Velho de Brotas, espetáculos, oficinas e intervenções dos grupos pertencentes ao Ponto de Cultura do Solar, filmes como “O Circo”, de Charles Chaplin e “Piruetas”, de Paula Gomes, a peça infantil “Larissa e seus Amigos Mágicos” e os monólogos adultos “Absoluta!”, encenado pela atriz Márcia Andrade e “Bevabbè”, apresentado pela atriz italiana Dodi Conti. No dia 31 de março, às 20h, a programação se encerra com o espetáculo Repertório Fulana, com ingressos a R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia).

Um velho engenho que abrigou um poeta

Em seus 461 anos de fundação, Salvador guarda histórias sobre seus habitantes e seus lugares, que ainda são desconhecidas por muitos e com o Engenho Velho de Brotas e as suas edificações, isso não é diferente. No ensino convencional, os estudantes aprendem, basicamente, sobre a história do dia 29 de março de 1549, mas desconhecem sobre a trajetória dos bairros desta que foi a primeira capital do Brasil.

Como o próprio nome já sugere, o bairro foi um antigo engenho de açúcar. De lá, era possível ver os navios negreiros chegando pela Baía de Todos os Santos, para trabalhar não somente no velho engenho, mas nas fazendas que constituíam a Salvador de antigamente. Com o passar dos anos, a localidade passou a ser recomendada para os que sofriam de problemas pulmonares, devido ao clima aprazível e ao ar puro.

Personalidades da cultura e da medicina já fizeram do bairro a sua morada ou seu local de trabalho, como o poeta Castro Alves (1847-1871), que residiu com sua família no antigo casarão amarelo, o Solar Boa Vista, para o qual escreveu o poema “A Boa Vista”. O Engenho Velho também foi morada do capoeirista Manoel dos Reis Machado, o Mestre Bimba (1899-1974), do fotógrafo francês Pierre Fatumbi Verger (1902-1996), onde criou a Fundação Pierre Verger, do ex-vocalista da Timbalada, Ninha Brito e do percussionista e líder da banda de pagode Psirico, Márcio Vítor. Com população composta majoritariamente por afro-descendentes, o Engenho Velho de Brotas possui diversas manifestações culturais afro-brasileiras, como os Sambas Juninos de grupos como o Samba Jaké, Bloco Afro Badauê e o Grupo União, além da forte presença de terreiros de candomblé.

Durante muitos anos, o bairro abrigou o Hospital Psiquiátrico Juliano Moreira, referência no tratamento de pacientes com transtornos mentais e o casarão do Solar já foi sede da Prefeitura de Salvador (gestão Manoel Castro, entre 1983-1985) onde atualmente funciona a Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (SECULT). Além da secretaria, o Conjunto Parque Solar Boa Vista inclui quadras poliesportivas, anfiteatro e o Centro de Saúde Mental Professor Aristides Novis.


Por Paloma Ayres

Salvador: 461 anos. Metrô: 11 anos

Há onze anos, a primeira capital do Brasil comemorava 450 anos e iniciava as obras do metrô. A terceira maior capital do país, como dizem alguns e a terra da maior festa de rua do planeta, segundo o Guiness Book, precisava modernizar seu sistema de transportes urbanos e levar mais conforto para sua população.

O projeto inicial do Metrô de Salvador planejava ter 48 Km de extensão e duas linhas ao final das quatro etapas. Onze anos depois, o metrô foi reduzido a 6 km e quando ficar pronto ligará a Estação da Lapa até a Rótula do Abacaxi.

Etapa Linha 1 Linha 2
1ª Lapa ↔ Pirajá ---
2ª Pirajá ↔ Pau da Lima Calçada ↔ Rodoviária Iguatemi
3ª Pau da Lima ↔ Cajazeiras Rodoviária Iguatemi ↔ Imbuí
4ª --- Imbuí ↔ Mussurunga


Greves, fim dos recursos, reformulações no projeto, foram inúmeros os motivos das paralisações das obras que já começaram com atraso, no ano 2000.

O principal problema enfrentado pelos responsáveis da obra foram os recursos financeiros. É notório que o planejamento não foi bem feito, já que a previsão de gastos era de aproximadamente R$ 540 milhões e hoje os custos já chegaram em R$ 1 bilhão. Além disso, o cronograma previsto para a conclusão da obra também já sofreu inúmeros ajustes.
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Blog O Ferrão do humor


A culpa é das concessionárias

Se em 1999 o trânsito na cidade já era motivo de preocupação entre os governantes, hoje a situação beira o caos. Entre 1998 e 2008 o número de carros aumentou em 94% na cidade, segundo dados do Detran. Salvador cresce desordenadamente e há muitos anos não foram feitas novas vias para desafogar o trânsito na cidade. Os engarrafamentos acontecem a qualquer hora do dia e já se fala até em rodízios de carros como acontece em São Paulo.

Com um sistema de transporte urbanos caro e de péssima qualidade, o cidadão soteropolitano sofre para chegar ao trabalho ou realizar outros serviços no centro da cidade. Apesar das tarifas sofrerem aumento todos os anos, nada é feito para solucionar o problema dos ônibus lotados em horários de pico. Os gestores do trânsito na cidade afirmam que não podem aumentar a frota porque não há espaço nas ruas e o centro da cidade não dispõe de espaço para a construção de novas vias.

Muitos trabalhadores incentivados pelos baixos preços e facilidades no pagamento de um carro esforçam-se para ter o mínimo de conforto e rapidez no deslocamento de casa para o trabalho. As concessionárias já financiam um carro zero em até 80 meses e com a chegada dos carros flex, em alguns casos, acaba sendo mais barato pagar o combustível do que a tarifa do ônibus.

Recentemente o prefeito da cidade, João Henrique, em entrevista a Rádio Metrópole, atribuiu a culpa do trânsito caótico na cidade às concessionárias que facilitam a compra de veículos. Esta solução encontrada pela população, em caráter emergencial, realmente implica em outros problemas como: um maior número de carros nas ruas, maiores índices de poluição e mais engarrafamentos. Mas não se pode esquecer quase nada foi feito para melhorar o trânsito na cidade nos últimos anos.

O problema é tão grande que já se fala até em rodízios de carro na cidade, como os que acontecem em São Paulo. Entretanto, São Paulo, além de ter a maior frota de veículos automotores do país, tem 62 Km de linhas ferroviárias e transporta 3,3 milhões de pessoas de metrô diariamente. O rodízio de carros aqui em Salvador, só aumentaria ainda mais o problema dos ônibus lotados e da espera dos passageiros nos pontos.

461 anos de Salvador, 11 anos de obras, novos incentivos

São onze anos de obras, R$ 1 bilhão investidos, 6 trens armazenados em galpões alugados por R$ 80 mil por mês desde outubro de 2009 e 1250 passageiros por dia que não são beneficiados pelo serviço.

Salvador foi escolhida como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 e será também uma sub-sede das Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016. Por isso, uma série de investimentos na infra-estrutura da cidade serão necessários para que Salvador suporte a grande quantidade de pessoas que desembarcará aqui. Entre os sistemas que precisam ser reestruturados está o de transporte e agora o metrô, que já virou motivo de piadas, tem que ficar pronto.

Graças a Copa de 2014, outras obras já estão em andamento acelerado, como a Via Portuária, que irá se integrar também com o metrô. Com isso uma nova modificação no projeto precisou ser feita. A nova via ligará a BR 324 ao Porto de Salvador e resultará melhorias no trânsito, principalmente na Rótula do Abacaxi, última estação do metrô.

Metrô de Salvador na mídia brasileira

As obras intermináveis do metrô já viraram piadas na mídia brasileira. Em dezembro de 2009, a revista Isto É publicou a reportagem intitulada: O metrô de Salvador é o mais lento do mundo. Mas isso não tem graça: ele já custou R$ 1 bilhão e não funciona. Na reportagem, Cláudio Sequeira expõe alguns dados negativos do metrô de Salvador como o fato de ele ser o menor do mundo e de poder ter tarifas que variem entre R$ 10 e R$ 15, porque não se sustenta economicamente.

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Foto da reportagem da revista Isto É


O Portal UOL também publicou uma reportagem no ano passado, quando as obras comemoraram 10 anos. Assim como o portal do jornal O Globo, que relembrou a história da construção e cometeu um erro na digitação, que diz muito sobre os planejamentos da construção do metrô: O contrato para construção do metrô baiano foi assassinado em 1999 e a obra começou em 2000.

O mais novo capítulo da novela: A CPI do metrô

Diante do não cumprimento dos prazos e do aumento exorbitante do orçamento previsto para a obra do metrô de Salvador, foi aprovada uma CPI, na Assembleia Legislativa, no dia 8 de março de 2010.

A comissão investigará denúncias de desvio de recursos apresentadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pelo Ministério Público Federal que mostrou irregularidades na licitação da obra e superfaturamento.

Por: Adalton dos Anjos

461 anos de preguiça?!

Hoje, quando Salvador comemora os 461 anos, muitas questões são lembradas e associadas à cidade. Uma dessas características pode nem ser lembrada ou comentada no dia do aniversário, mas ainda é bastante comentada durante o ano todo, não somente na capital como também todo o estado: a preguiça.

A professora e antropóloga Elisete Zanlorenzi, da PUC-Campinas, defendeu uma tese em setembro de 2009 que tinha como tema a preguiça baiana. No trabalho, ela desmitificou muito dos preconceitos associados aos baianos e descobriu que somos mais eficientes que trabalhadores de outras regiões do Brasil.

A pesquisa, que durou quatro anos, comprovou o que já se contestava: a associação com a preguiça é por conta, principalmente, do racismo. Os colonizadores portugueses foram os primeiros a propagar esse preconceito, ao caracterizar os negros e escravos de preguiçosos, por retardarem o serviço e se mostrarem contrariados (por razões óbvias) ao regime de escravidão impostos a eles. Ainda hoje, com uma população composta por 79% de negros e mestiços, o discurso se mantem.

Além disso, artistas como Dorival Caymmi, Caetano Veloso, entre outros, também são responsáveis pela popularização da imagem de preguiçoso dos baianos, reforçados pela mídia, assim como a indústria do turismo, que ajudou a propagar a ideia de um local de lazer permanente. Mas no trabalho a professora comprovou que as festas não interferem no trabalho, mostrando inclusive que uma das épocas em que mais o baiano trabalha é no carnaval, já que 51% da mão-de-obra é informal, o período de festas é a época com mais oportunidades de trabalho. No fim, quem mais curte a grande festa são os turistas.

A prova disso é a pesquisa que foi realizada em uma empresa com sede no Pólo Petroquímico da Bahia que revelou um maior número de faltas na filial de São Paulo (0,61%), do que na sede de Salvador (0,27%), durante o mês de carnaval.

O fato de que o maior pólo petroquímico do país está aqui, como também o maior pólo industrial do Norte e Nordeste, resulta em previsões de que em cerca de 10 anos, a Bahia poderá se tornar o maior pólo industrial da América Latina. E o atrativo turístico, que a capital e o estado possui, é outro chamariz para recursos para a região.

Entre as comemorações dos 461 anos de Salvador, o mito da preguiça tem que dar lugar a valorização de uma terra festeira sim, mas com um povo bastante trabalhador.

461 notas de harmonia

Por Marcel Ayres

A história de uma cidade é celebrada por diversas experiências, momentos, cheiros, sabores e sons. Em 29 de março de 2010, Salvador completa 461 anos e, durante esse longo caminho, a música foi e é um personagem marcante na construção cultural da cidade.

Referências não faltam no berço musical baiano, seja no samba, axé, pagode, arrocha, tropicália, Rock n’ Roll ou, até mesmo, na música clássica. Sim, a música clássica que respira grandes nomes e orquestras na cidade da folia.

Maestro com dendê

Entre os grandes nomes da música clássica baiana está o pianista e maestro Ricardo Castro, um personagem que marcou história e continua levando o nome da Bahia pelo mundo afora. Nascido em Vitória da Conquista, aos três anos Castro começou a tocar piano incentivado pela família. Aos oito, fez seu primeiro recital, depois, aos dez anos participou de um concerto ao lado da Orquestra da UFBA.

Daí em diante Ricardo Castro não parou. Entre os prêmios mais importantes de sua carreira estão os primeiros lugares dos concursos Rahn em Zurique em 1985 e Pembaur em Berna em 1986, recebeu do conservatório de Genebra, em 1987, o "Premier Prix de Virtuosité avec Distinction et Félicitations du Jury". Neste ano ele também foi vencedor (ex-aequo) do Concurso Internacional da ARD de Munique, contribuindo assim para o primeiro impulso na sua carreira internacional.

Em 1993, Ricardo Castro recebeu o primeiro lugar no prestigioso "Leeds International Piano Competition" na Inglaterra, marcando a história da competição por ter sido o primeiro vencedor latino-americano desde sua fundação em 1963.Hoje, Ricardo Castro está à frente da direção artística da Orquestra Sinfônica da Bahia onde, em parceria com o projeto FESNIJOV da Venezuela, iniciou a construção dos Núcleos de Orquestras Juvenis e Infantis do Estado da Bahia (Neojibá).

O futuro da música clássica baiana

Os Núcleos de orquestras juvenis e infantis da Bahia, iniciados por Ricardo Castro, trazem como principal objetivo a formação de crianças e jovens para o desenvolvimento social e urbano, tudo isso através do trabalho em equipe, respeito mútuo e muita música.

Mediante a instrução e a prática coletiva, o Neojibá traz para Salvador muito mais que um grupo de estudo de música clássica, traz, também, um novo olhar para a vida. Esses jovens mostram para o Brasil e para o mundo que Salvador vai além do Carnaval de rua, sua história é um poço de diversidades em todos os sentidos.

Abaixo, segue um vídeo da Orquestra Sinfônica Juvenil Dois de Julho:

Ponta do Humaitá



A Ponta do Humaitá é um dos pontos turísticos tradicionais de Salvador. Localizada na Península de Itapagipe, na Cidade Baixa, tem como símbolos a Igreja e o Mosteiro de Monte Serat, obras do Arquiteto italiano Baccio de Filicaya no século XVI, restaurados pelo governo do estado em 2001 e abertos para a visitação, e o farol de mesmo nome.

O encanto do lugar se deixa notar nos freqüentadores: casais de namorados, famílias de banhistas e pescadores, todos desfrutando da brisa, do sol e do mar mesmo em plena quarta-feira pela tarde. E quando o sol começa a dar sinais de que vai embora, começam os preparativos para a abertura do bar Clube de Iates de Itapagipe, o qual funciona numa casa antiga que ostenta orgulhosamente sua data de construção, 1619 e certamente trará novas pessoas para apreciar o por do sol.

Aspecto muito comentados por todos é o misticismo que envolve o lugar. ´´Esse é um lugar muito bonito, que infelizmente muitas pessoas não conhecem e que tem uma energia muito boa. Aqui temos uma outra perspectiva da Bahia de Todos os Santos que eu adoro. Sempre que posso venho aqui.`` Diz Clara Dias, estudante de nutrição de 20 anos e moradora do bairro da Pituba.

A Ponta do Humaitá tem uma tradição religiosa, mas não somente pelo culto católico com sua Igreja, mas também em razão de cultos sincréticos que envolvem as religiões de origem africana, dos antigos escravos. A senhora Maria Inah de Almeida, 83 anos lembra de que na sua juventude Humaitá era local onde se faziam oferendas a Oxalá e a Oxum para ´´abrir os caminhos`` e fala de uma mítica ´´Loca da Sereia``, que seria uma pedra onde as oferendas eram preferencialmente feitas. Hoje ainda é possível notar em um passeio rápido, vestígios de que essas oferendas continuam sendo feitas, mantendo vivas as crença no misticismo do lugar.

Segundo o projeto conhecido como Via Náutica nove terminais de embarque e desembarque seriam construídos em vários pontos da Baía de Todos os Santos, entre eles o Terminal do Humaitá, único que foi concluído. Atualmente em desuso, as instalações existem como um embarcadouro fantástico, que somado à atmosfera do lugar parece oferecer viagens para o lugar que o viajante sonhar.

Por: Renata Vidal

quinta-feira, 25 de março de 2010

Caatinga e semiárido baiano em 3D

Da mistura entre tecnologia e dados científicos sobre a região das Dunas do Médio São Francisco, na Bahia, surgiu o jogo de simulação e ação em 3D Calangos. Lançado na segunda-feira, 22, em mais uma edição do Café Científico Salvador, o jogo tem como objetivo não só possibilitar o entretenimento do jogador, como também garantir o aprendizado do mesmo, já que para permanecer “vivo”, o jogador precisa ter algum conhecimento sobre ecologia e evolução.

Financiado pelo edital da FINEP, Financiadora de Estudos e Projetos, o jogo foi desenvolvido pelos professores Charbel Niño El-Hani, da UFBA, Angelo Conrado Loula, da UEFS, e Leandro Nunes de Castro Silva, da Mackenzie, que, juntamente com uma equipe de pesquisadores e estudantes universitários, criaram em 3D uma simulação da vida de três espécies de calangos do semiárido baiano.

Na simulação, o jogador, que pode assumir o papel de uma das três espécies endêmicas de lagartos da região, precisa passar por quatro fases. Na primeira, basicamente, o estudante-jogador vai usar de ação e estratégia para que seu lagarto consiga sobreviver, desenvolver-se e reproduzir-se. Na segunda, o jogador deverá construir um lagarto a partir de um gerador de características, podendo trabalhar, assim, a relação entre morfologia, biomecânica e sucesso na sobrevivência e reprodução. Na terceira, o jogador passará do nível do organismo individual para o nível das populações, fazendo com que ele controle, ao mesmo tempo, uma população inteira de lagartos. Já na quarta e última fase, o jogador poderá vivenciar a evolução das espécies. Para isso, ele precisará não só manter os números de uma população de lagartos, mas lidar com sua evolução ao longo de várias gerações.

Segundo dois dos coordenadores do projeto, Charbel El-Hani e Angelo Loula, apesar de já ter sido lançado, Calangos ainda está em processo de criação, podendo receber sugestões daqueles que o jogarem. “Ainda falta acrescentar sonorização e alguns efeitos especiais. O jogo ainda não está finalizado”, explica Loula.

Além do lançamento de Calangos, o café científico ainda contou com a exibição de um documentário, que ainda não tem nome, sobre a pesquisa realizada nas Dunas do São Francisco. No documentário, é mostrado um pouco do que foi o trabalho de pré-produção realizado por pesquisadores como Pedro Rocha, da UFBA, para colher informações sobre fauna e flora da região. Afinal, mais do que uma ferramenta de entretenimento, o game é educacional.

Para quem se interessou, Calangos já está disponível para download. Está esperando o que para baixar?

Foto: Cristiano Britto

Por Laís Ferreira